Amor ao Norte

Amor ao Norte
Quando fui apresentada aos discos do GNR, banda portuguesa formada no Porto no início dos anos 1980, nunca havia pisado em solo lusitano. Já por aí impressionaram meus ouvidos, e isto foi há oito anos. Hoje, quase escorrem-me as lágrimas ao ouvir a voz feminina que empresta sua melancolia à faixa Pronúncia do Norte.
Por ser amante do sol, não agrada-me muito a letra que fala de sua morte.
É uma delícia, porém, ouvir a gaita de foles a acompanhar a guitarra. O sedutor sotaque do Porto, ao fim e ao cabo, é muito mais irresistível do que os versos declarando amor à névoa.
O contrário ocorre-me na faixa Bem-vindo ao Passado, cuja poesia chama-me mais atenção do que a melodia.
Já morri a morte certa/Já senti a fome, aperta a dor/Já bati à porta incerta/Viajei de caixa aberta, a dor/Pecado, fundido, queimado/Já desci lá em baixo ao fundo/Já falei com outro mundo e então/Já passei o limbo limpo/Já subi ao purgatório e vou.

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