Arquivo mensal: novembro 2009

en łéngua vèneta

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Wikipedia em dialeto vêneto.
Parece piada, mas não é.

O Vêneto descende do Latim. Atualmente é falado, sobretudo, na região homônima italiana, onde as principais cidades são Padova, Treviso, Veneza, Vicenza e Verona

Como estrutura, abandonou boa parte da declinação, favorecendo as preposições. A sonoridade chama atenção pela quase ausência do l (ele), muito presente no idioma italiano.

O vocábulo guarda curiosas semelhanças com o Português (gòto para copo) e o Espanhol (calle para rua), o que dá asas a recordações de comerciantes e gondoleiros navegando entre os séculos das nações.

Devagar e Amplamente

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Ajudando a derrubar outro mito da mudernidade, lembro que a aceleração mental não corresponde ao estado da criatividade. Fazer decolar as ideias não exige um cérebro ligadão. Pelo contrário. Isto não é misticismo fácil. É a realidade das ondas cerebrais. Farta bibliografia explora o tema.

Os cientistas dividiram as ondas cerebrais em quatro frequências:
Beta
Alfa
Teta 
Delta

Menor velocidade,  maior a amplitude

Beta: é o estado de vigília.  Dentro dela, realizamos as ações mais comuns, com a mente ocupada. Alguém em conversa ativa está em beta. A frequência trabalha de 40 a 15 ciclos por segundo. Café.

Alfa: o nível da criação e da meditação. Também nela ocorrem devaneios, fantasias e visualização criativa. Pensamos, desejamos, programamos. É um estado de sono leve, no qual não sonhamos. Viaja em ritmos de 14 a 9 ciclos por segundo.

Teta: o nível do relaxamento  ou do sono profundo durante o qual  sonhamos nitidamente. Estado da hipnose, com 8 a 5 ciclos por segundo

Delta é a inconsciência. Está na rotação cerebral entre  4 a 1 ciclo por segundo.

Exótica

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Gianna Nannini deu o sopro de vida aos versos de Mara Redeghieri, fazendo nascer um estrondoso sucesso pop em 2005.

A canção Meravigliosa Creatura alegoriza um dos conceitos mais marcantes da cultura europeia de todos os tempos, que mexe com os  corações, e bem lá no fundo: o exotismo.

Muitos mares e rios/Atravessarei/Dentro da tua terra/Me reencontrarás
Maravilhosa Criatura/És sozinha no mundo.
Maravilhoso medo/De ter-te ao lado
Improvisadamente desces do paraíso/Morro de amor maravilhoso.

A emocionada voz da roqueira impele-me a novas aventuras poéticas. Obrigada, Gianna!

Na atração pelo exótico
Reconheço a separação em mim.
Maravilho-me sem penetrar.
Vejo sem conhecer.
Provo sem arriscar.
E assim, vivo na polaridade
Com a sede da Unidade.

Portais Secretos – Acessos Arcaicos à Internet

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Minha melhor aquisição na última Bienal do Livro do Rio (2009) foi um lançamento… de 1996! Atual e pouco explorado pela geração de internautas, sobretudo os pragmáticos. Acabei, assim, experimentando um dos pontos centrais da ideia do livro – ir além do tempo, tal como o conhecemos. Confesso minha sina no campo da filosofia e da história das religiões – a qual não explica sozinha o meu interesse.

O rabino Nilton Bonder mostra que o conceito de portal – o acesso ao todo, a partir de qualquer site do universo – é muito mais antigo do que o Império Romano.

Prometo mais detalhes quando terminar de digerir a obra (aviso que minha digestão é lenta – mas isto é já é outra herança do deserto em mim).

Nostalgia do Escatológico

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Ah, a escatologia! Está entre os vários microclimas psicossociais, por assim dizer, mentalidades coletivas muito vivas pelas ruas da Europa e hoje em dia raras por aqui.

Mais do que um clima de fim de mundo, perfaz o conjunto de pensamentos à moda de Augusto dos Anjos, e com toque de Renato Russo e Cazuza. Pensadores praticamente extintos no Brasil de hoje, onde reina, soberano, o oba-oba.

Vita di merda pode parecer uma simples e terrível expressão de mau humor crônico – que ouvi durante meus anos de península itálica – mas é muito mais do que um lamento punk.

A consciência da condição do estado restrito a uma vida corporal e física não apenas traz à memória histórica a melancolia da queda, como também impede a sedução por sorrisos feitos de purpurina.

Que saudades da escatologia!

Antes que chegue de vez o fim.