Poesia é Vida

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A poesia libera a palavra das pretensões mesquinhas do homem.

A poesia deixa a linguagem nua, e faz tudo retornar à sua origem mais crua.

Com a poesia, a palavra é musica, é cor, é ritmo e é vibração.
O verso, assim como o fonema, revela um fragmento que contém o todo e compõe uma orquestra única.

A língua renasce na poesia, ja’ que cada palavra ganha um sentido novo dentro do todo.

Poesia é poesia essencialmente porque toca o coração da gente.
Faz de uma ideia ou de um pensamento algo muito mais vivo do que um texto descritivo.

Transforma os objetos linguísticos em uma sinfonia de movimentos, compassos, tons, acordes e tambores cardíacos.

A poesia ultrapassa as barreiras do entendimento, dos sentidos e do tempo, pois ela não se explica, simplesmente se dança e se respira.

Porque poesia se vive.

Amor ao Norte

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Quando fui apresentada aos discos do GNR, banda portuguesa formada no Porto no início dos anos 1980, nunca havia pisado em solo lusitano. Já por aí impressionaram meus ouvidos, e isto foi há oito anos. Hoje, quase escorrem-me as lágrimas ao ouvir a voz feminina que empresta sua melancolia à faixa Pronúncia do Norte.
Por ser amante do sol, não agrada-me muito a letra que fala de sua morte.
É uma delícia, porém, ouvir a gaita de foles a acompanhar a guitarra. O sedutor sotaque do Porto, ao fim e ao cabo, é muito mais irresistível do que os versos declarando amor à névoa.
O contrário ocorre-me na faixa Bem-vindo ao Passado, cuja poesia chama-me mais atenção do que a melodia.
Já morri a morte certa/Já senti a fome, aperta a dor/Já bati à porta incerta/Viajei de caixa aberta, a dor/Pecado, fundido, queimado/Já desci lá em baixo ao fundo/Já falei com outro mundo e então/Já passei o limbo limpo/Já subi ao purgatório e vou.

Homenagem a Gaia

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Silêncio.
É a Mãe que fala.
Através dos poros.

Escuta.
É a força que cala
E ajunta os povos.

Ouve.
O zunido desse nada
Que equilibra os pólos.

Cantando,
Embala seus filhos
Na rede desse chão.

Lugar onde nada se perde
E tudo se devora.
Onde o suor se rende
A toda hora.

Nem Antes nem Depois

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Revolucionária a leitura de Praticando o Poder do Agora, do alemão Eckhart Tolle.

Ponha na tua cabeceira sem ligar para os narizes contorcidos com ares intelectualoides daqueles que têm preconceito contra best-sellers internacionais ou contra qualquer obra que tenha nem que seja uma vaga ligação com a espiritualidade.

De personagem impotente, passas à condição de sujeito, de autor e de criador da tua realidade.

São exercícios simples que mostram como uma nova consciência pode estar a apenas um passo, ou a uma respiração.

A chave é pararmos de achar que estamos reduzidos à “nossa” mente: aquela voz que fala sem parar, que fica remoendo pensamentos que torturam e que planeja compulsivamente os próximos minutos, fazendo contas inúteis e nos deixando preocupados e ansiosos.

Só para lembrar: Tolle, que morou por muito tempo na Inglaterra, diz que não segue nenhuma religião em particular.

E Chegaram os Alquimistas!

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Este é também um blog alquímico.

Para que se complete a transformação dos elementos verbalizada por Jorge Ben, é preciso, na fórmula, simplicidade de base e uma certa dose de aquiescência.

Passaram-se 36 anos de seu corajoso trabalho e toda uma geração.
E eles chegaram. Caminham entre nós, e são muitos.

*O que está em baixo é como o que está em cima, e o que está em cima é como o que está em baixo, para realizar os milagres de uma única coisa.

E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas, por adaptação.

Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.

E se afastarão de ti todas as trevas.

* Da Tábua de Esmeralda

Liberdade de Expressão

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A metáfora é a linguagem da unidade, onde os hemisférios direito e esquerdo se unem criando uma realidade a partir do imaginário.
A metáfora desconhece limites.  Ela tudo pode.  É a possibilidade da criação sem amarras. Drible e arrancada, derruba qualquer censura.

O que seria de mim se não pudesse usar metáforas quando escrevo?
Não poderia ser nem uma semente de mostarda, nem o buraco no fundo de uma agulha, nem mesmo uma lamparina ou uma virgem.

Graças à metáfora, monto em meu unicórnio e experimento cada paisagem que crio.
A metáfora é o que torna este mundo – abarrotado de palavras e vazio de sentido – digerível e dirigível para mim.

São as asas invisíveis da minha alma poetisa.