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Quem tudo diz…

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Infinito mar luar…
Palavras como essas parecem mais nada dizer
pois agora todos falam sem alma.
Por isso
apenas sinta
a imensidão da poesia
no meu silêncio que respira.
A melodia e o sentimento
nas entrelinhas.
A cada intervalo
o meu calor.
O brio e o fulgor
neste ponto que nada detém:
nem do leitor o amor
nem do poeta a dor
da ausência de poesia
neste pobre mundo de verborragia.

Cor de rosa choque

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Uma das partes mais interessantes da exposição Brasil feminino é o seu desfecho: paredes totalmente cobertas por centenas de post-it cor de rosa, rosa rosa choque – onde os visitantes deixam seus recados. Parabéns a quem teve a ideia primeiro, e também a quem resolveu adotá-la. Toda exposição é um tanto cansativa, algumas mais, outras menos. O visitante pode sair dos jardins da Biblioteca Nacional do Rio com vontade de chegar em casa e pesquisar no google mais detalhes sobre uma das personagens ali apresentadas e pouco conhecidas da maioria. Tipo a arretada Dionísia Gonçalves Pinto, mais conhecida como Nísia Floresta Brasileira Augusta, que em pleno século XIX escrevou obras de teor libertário, participou de campanhas abolicionistas e morou em países nos quais publicou obras de análise social, como França e Itália. Deixou o rico marido com quem se casara e, anos depois, foi “morar junto” com um rapaz, em pleno ano de 1828. Já viúva e mãe de dois filhos, passou longas temporadas no exterior, onde teve publicados seus livros plenos de conceitos avançados, como Conselhos à minha filha. Que mulherão.

Travessia do Deserto e Reversão

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Em uma entrevista, Robert Plant afirmou que Kashmir era uma das suas canções favoritas dos tempos do Led Zeppelin, sendo particularmente muito positiva do ponto de vista lírico. Além de concordar com o gigante do rock, acrescentaria que a versão a cappella da cantora yemenita Ofra Haza (1957 – 2000) terminou de colocar tudo nos eixos.

Apesar de constituir o nome de uma região indiana, Kashmir foi composta por Plant durante uma viagem pelo Saara. Mas é claro que qualquer explicação minuciosa sobre o seu histórico jamais conseguiria descrever a dimensão de uma obra que versa sobre uma das metáforas mais profundas da existência: o deserto como percurso da consciência humana.

O processo de interiorizar-se passa pela desertificação do mundo exterior. Esse é o desafio de quem não carrega provisões, porém preserva a face aberta e se reconhece como um viajante do tempo/espaço.

Tudo que vejo torna-se castanho à medida que o Sol
Queima a Terra e meus olhos enchem-se com areia,
À medida que examino esta terra devastada

Tentando descobrir, tentando descobrir onde eu estive

Para retornar ao seu ponto zero, seu local real e presente, ele precisa atear fogo – no sentido da percepção, e não no sentido material!  –  em tudo o que vê.  Ou seja, é necessário reduzir a cinzas o objeto dos seus sentidos – até dar-se conta da devastação do mundo exterior e chegar a um encontro profundo consigo mesmo.

Talvez ele tenha completado a travessia ao perceber que não havia distância espacial, sequer temporal. Aquele percurso era apenas um vácuo na sua consciência entre o que ele acreditava que não fosse ele e o que ele era de fato. Apenas uma mudança de percepção e paradigma – enfim, uma reversão de consciência. O que está dentro como o que está fora.

Kashmir

Estrelas preencherem meus sonhos
Oh, sim, eu estive voando…

Sou um viajante de ambos, tempo e espaço,
Para estar onde eu estive.

Consciência Cardíaca

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Como provável último post do ano de 2010, fica uma dica para descobrir uma nova dimensão da consciência. Nova para muitos. Mas, espero, não para todos.

Em geral, localizamos nosso ponto sensorial, quase que exclusivamente, na testa, especialmente acima dos olhos. Podem reparar. Agora, experimente mudar a localização da sua consciência para a região cardíaca – pode ser em um dos lados ou no centro do peito.

Faça um teste: tente realizar suas ações habituais (tipo lavar a louça e ouvir música) ou simplesmente fique um pouco parado, mas focado ali, no coração, por alguns segundos ou minutos. Sua percepção do mundo muda. Em alguns casos, pode mudar completamente. Experimente. Listen to your heart.

Qualquer Coincidência é Mera Realidade

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Reino de titãs; nefilins; golfinhos mágicos; reptilianos; sereias encantadas; sílfides dançarinas; armadilhas genéticas e guerra nas estrelas.

Cada vez me convenço mais e mais que, enquanto os adultos brincam de ser sérios, mergulhados nas ficções do mundo moderno, as crianças manuseiam livremente as verdades da criação.

Não há nada mais real do que a ilusão, e nada mais ilusório do que a realidade.

A consciência é a nossa grande mãe – o poder feminino da criação. Ela não pode ser aprisionada, nem mesmo nos limites dualistas de um cérebro pouco explorado que se limita a analisar o horizonte sob a ótica de valores opostos. Que se limita a sair de si, a conhecer, porém sem se reconhecer.

Ela quer sair, ela é livre, e ela se dilata para receber o que vem, e ser fecundada.

Para sair, no entanto, é preciso voltar-se para dentro, mais do que nunca. O movimento é centrípeto.